setembro 28, 2021
Política

A Gang da Lava Jato, Lula e Renan Calheiros

Blog do Celio Gomes

Não restam mais dúvidas, e não é de hoje, quanto ao caráter criminoso dos procuradores que atuaram na Operação Lava Jato. A partir de junho 2019, com o tsunami das conversas no Telegram, a Vaza Jato enterrou a lenda dos heróis que vieram ao mundo para acabar com a corrupção no Brasil. Não, não era nada disso – como aliás escrevo aqui desde que comecei este blog em 2017. Era um projeto de poder, como ficaria escancarado a partir de 2018. Naquele ano, Moro virou cabo eleitoral de Jair Bolsonaro e, fechadas as urnas, tornou-se ministro do delinquente que ajudou a eleger. A Gang de Curitiba nunca teve limites.

Nas últimas semanas, o país tem visto uma nova leva de gravações com conversas entre procuradores da República. Todo o conteúdo é material apreendido na Operação Spoofing, na investigação dos hackers que invadiram os telefones das autoridades e obtiveram essa bomba atômica. Nesta sexta-feira, ficamos sabendo da existência da procuradora Carolina Rezende, que nos dá uma aula de como esses investigadores pensavam em tudo, menos na lei.

A gravação com a procuradora é de março de 2016, um dia após o ex-presidente Lula (foto) ter sido levado coercitivamente para depor à Polícia Federal. Naquele cenário, diante dos fatos gravíssimos – o que exige cuidado e seriedade ao extremo –, Carolina Rezende mostra toda a baixeza que parece ter sido o norte depravado da Lava Jato. Ela deixa evidente o que está em jogo naquele espetáculo de sirenes e buzinas.

Diz a procuradora sobre os objetivos da Lava Jato: “Pessoal, fiquei pensando que precisamos definir melhor o escopo pra nós dos acordos que estão em negociação. Depois de ontem, precisamos atingir Lula na cabeça (prioridade número 1)”. Com essa pegada, o trabalho de Sergio Moro, o juizinho marginal de Maringá, foi uma moleza. As muitas horas de gravação liberadas evidenciam que “magistrado” e procuradores agiram em conluio.

É por isso que o STF ainda terá de declarar a suspeição desse vagabundo e anular o julgamento sobre o tríplex de Guarujá. O que impediu que isso ocorresse até agora foram as pressões de variadas origens – do Exército sempre golpista aos donos da Globo. O “combate à corrupção” dos rapazes e mocinhas do MPF se resumia a acertar a cabeça do Lula. Que vergonha! E ainda ganharam dinheiro com essa piada de heróis da ética e da honestidade.

No mesmo pacote das conversas dessa procuradora Carol Rezende aparece o senador Renan Calheiros (MDB). As informações foram reveladas pela jornalista Mônica Bergamo, na Folha. E o que se lê confirma igualmente as denúncias que o parlamentar vem fazendo contra a Lava Jato há um bom tempo. Ele também é vítima, sim, dessa quadrilha que destruiu o devido processo legal. As revelações fortalecem o senador em sua guerra particular.

Fala a doutora Carolina: “Pra nós da PGR, acho que o segundo alvo mais relevante seria Renan”. E completa o raciocínio assim: “Aqueles outros (Lula e Renan) temas pra nós hoje são essenciais pra vencermos as batalhas já abertas”. É com esse nível que autoridades do MPF investigam denúncias de crimes? Como se vê, se decide, na largada, quem será “atingido na cabeça” e quem é “essencial” para os fins que interessam. Danem-se os fatos.

Um procurador da turma marginal de Curitiba disse que o Telegram era o “botequim” da Lava jato. Admite, portanto, a veracidade do conteúdo – o que Moro e Deltan Dallagnol dizem “não reconhecer”. Mas, acrescentam, se verdadeiras as mensagens, nada mostram de errado. São dois pilantras mesmo. Não merecem respeito nenhum. Não importa que ainda tenham alguma popularidade. O preço para isso foi a desmoralização.