setembro 28, 2021
Política

Em depoimento, Carlos Murillo afirma que governo recusou 70 milhões de doses

A CPI da Pandemia encerrou a semana de depoimentos ouvindo hoje (13) o presidente da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo. O objetivo dos senadores era saber como foram as negociações de compra da vacina contra Covid com o governo Bolsonaro.

Murillo afirmou que o Brasil não respondeu às três ofertas feitas pela multinacional farmacêutica, em agosto do ano passado, que previam 1,5 milhão de doses ainda em 2020 e um total de 70 milhões. O primeiro contrato com o governo brasileiro foi fechado somente no dia 19 de março e há um segundo em negociação. O executivo disse também que as condições de negociação foram as mesmas para mais de 110 países.

“Numa reunião em 6 de agosto, o Ministério manifestou possível interesse em nossa vacina e, como consequência disso, nós fornecemos no dia 14 de agosto nossa primeira oferta, que era uma oferta vinculante. Na realidade, eram duas ofertas – e vou me explicar –, porque era exatamente a mesma oferta, as mesmas condições, o mesmo preço, somente que uma era de 30 milhões de doses e a outra era de 70 milhões de doses, e essa oferta tinha o possível cronograma de entrega durante o final de 2020 e 2021. Em 18 de agosto nós voltamos a fazer a oferta de 30 milhões e 70 milhões de doses, mas, nessa oferta, nós tínhamos conseguido um quantitativo adicional para o Brasil para o final de 2020. Em 26 de agosto nós fizemos a terceira oferta, também de 30 e 70 milhões de doses, e nessa terceira nós tínhamos conseguido uma quantidade um pouco maior para o primeiro trimestre de 2021”, disse Murillo.

O executivo disse ainda que, após receber informações de outras integrantes da empresa, uma reunião ocorrida no Palácio do Planalto sobre a aquisição de vacinas contou com a participação do ex-secretário de comunicação do governo federal Fabio Wajngarten e do vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, filho do presidente.

“Sobre as reuniões, foi solicitado a mim para procurar informações sobre a reunião que nossa Diretora Jurídica teve com o Sr. Fabio Wajngarten no dia 7 de dezembro. Então, se me permitir, posso relatar (… ) o que ela oficialmente tem enviado para mim.”

“Objetivo: o ex-Secretário pediu para representantes da Pfizer esclarecimento a respeito dos entraves relacionados aos aspectos legais. Participantes iniciais: Fabio Wajngarten, Secom; João Paulo, compliance Secom; Cesar Gobbi, Chefe de Gabinete Secom; Felipe Cruz, Secretário de Comunicação Institucional Secom; Shirley Meschke, Diretora Jurídica Pfizer; Eliza Samartini, Relações Governamentais Pfizer. Após aproximadamente uma hora da reunião, Fabio recebe uma ligação, sai da sala e retorna para a reunião. Minutos depois, entram na sala de reunião Filipe Garcia Martins, Assessoria Internacional da Presidência da República; Carlos Bolsonaro.”

“Fabio explicou a Filipe Garcia Martins e a Carlos Bolsonaro os esclarecimentos prestados pela Pfizer até então na reunião”, declarou o executivo.

O relator Renan Calheiros declarou em suas redes que considerou a reunião de hoje uma das mais esclarecedoras até aqui.

Na próxima terça-feira (18) será a vez de o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo ser ouvido. A relação do Brasil com a China deve ser um dos pontos mais questionados pelos parlamentares da CPI da Pandemia.