setembro 28, 2021
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Ernesto Araújo negou atritos com a China e confirmou ação de Bolsonaro pró-cloroquina

Jefferson Rudy/Agência Senado

A CPI da Pandemia ouviu, nesta terça-feira (18), o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo. Conduta da diplomacia brasileira, ações e eventuais omissões de Araújo em negociações internacionais visando as vacinas, insumos e medicamentos, foram temas da reunião.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) questionou o ex-ministro sobre atritos políticos com a China, o que pareceu terem sido gerados pela ideia do “vírus chinês” difundida entre integrantes do governo. Renan quis saber como a nova política externa poderia ter impactado nas negociações para a aquisição de imunizantes contra a Covid-19 no Brasil.

Araújo negou conflito com a China e disse que nenhuma de suas declarações sobre o país tiveram efeitos sobre o fornecimento de insumos e imunizantes.

“Bem, também jamais promovi nenhum atrito com a China, seja antes, seja durante a pandemia, de modo que os resultados que nós obtivemos durante a pandemia, na consecução de vacinas e em outros aspectos, decorrem de uma política externa que foi implementada de acordo com os nossos objetivos, mas que não era uma política de alinhamento automático, como se diz, com os Estados Unidos, nem uma política antimultilateral – isso ficou claro com a nossa participação na Covax –, nenhuma política de enfrentamento com a China”, disse o ex-ministro.

Troca de telegramas
Renan perguntou sobre a autenticidade da troca de telegramas diplomáticos entre Araújo e o embaixador brasileiro do Brasil na Índia, Elias Luna Santos, divulgada pela Folha de S.Paulo, pela qual houve apoio à busca de remédios supostamente milagrosos, como a cloroquina. O ex-ministro afirmou a troca de mensagens e confirmou a procura pelo medicamento.

“Perfeito, senador. Sim, houve essa troca de mensagens naquele momento… Naquele momento, março, havia uma expectativa de que houvesse eficácia no uso da cloroquina para o tratamento da Covid, não só no Brasil. Havia notícias sobre isso de vários lugares do mundo. Houve uma grande corrida aos insumos para hidroxicloroquina e baixou precipitadamente o estoque de cloroquina – fomos informados por isso, pelo Ministério da Saúde – no Brasil. Em função de um pedido do Ministério da Saúde foi que nós procuramos ajudar viabilizar uma importação de insumos para farmacêuticas brasileiras produzirem hidroxicloroquina, o que já estava contratado, mas a Índia – justamente como havia uma procura mundial, não se sabia se a cloroquina teria uma procura ainda maior – havia bloqueado exportações. Lembrando que isso ficou claro, inclusive, nas comunicações”, declarou Araújo.

Indagado sobre negociações de compras e doações de cloroquina pelo Ministério das Relações Exteriores em 2020, o relator da CPI quis saber sobre a participação do presidente Jair Bolsonaro nessas negociações. O ex-chanceler confirmou a participação do presidente.

“A partir de uma coordenação com o Ministério da Saúde. Esse especificamente do Ministério da Saúde? Não, recordo não. O que houve claro não foi exatamente o pedido, né? Para implementar esse pedido do Ministério da Saúde, mas o presidente da República ele, o presidente, em determinado momento pediu que o Itamaraty viabilizasse um telefonema dele com o primeiro-ministro, disse o ex-chanceler.

Covax Facility
O relator da CPI, questionou o ex-ministro sobre o porquê de o Brasil ter aderido ao consórcio Covax Facility assinando contrato com a opção de 10%, em vez de 50% a que o Brasil teria direito em vacinas. Segundo Ernesto Araújo, a decisão foi tomada pelo Ministério da Saúde no âmbito da estratégia do Plano Nacional de Imunização (PNI).