setembro 28, 2021
Educação

Escolas estaduais têm projetos selecionados para a maior feira de iniciação científica do país

Izaura Antônia de Lisboa (Arapiraca), Théo Brandão (Maceió) e Arthur Ramos (Pilar) estarão na Febrace, que ocorre em formato virtual, no período de 15 a 27 de março

José Demétrio
Nadja orienta projeto que levou para Febrace em 2018


Agência Alagoas
Texto de Ana Paula Lins

Três escolas da rede estadual de ensino tiveram projetos selecionados para a maior feira de iniciação científica do país, a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia da Universidade de São Paulo (Febrace-USP), que, em virtude da pandemia, ocorrerá em formato virtual no período de 15 a 27 de março. A rede estadual será representada pelas escolas Izaura Antônia de Lisboa (Arapiraca), Théo Brandão (Maceió) e Arthur Ramos (Pilar) e a Escola SESI de Educação Básica Industrial Abelardo Lopes (Maceió) completa a lista dos trabalhos alagoanos que participarão do evento.

Segundo a organização da feira, os projetos estarão disponíveis ao público por meio da plataforma Febrace Virtual, onde será possível conhecer os trabalhos, deixar comentários com mensagens de incentivo e votar em seus favoritos.

Alagoas e a rede estadual participam da Febrace desde a sua segunda edição, em 2004, tendo sido premiada nos anos de 2009 e 2012 com as escolas estaduais Izaura Antônia de Lisboa e Nossa Senhora da Conceição (Lagoa da Canoa) e, em 2019, com a Escola Estadual Avelina do Carmo, de Traipu.

“Essas três escolas desenvolveram projetos de altíssima qualidade em meio a um ano atípico e com os vários desafios impostos pela pandemia. Elas orgulham nossa rede e nosso estado e sua participação na Febrace trará ganhos a todos nós, servindo de incentivo para outras unidades. Por isso, é importante todos prestigiarmos suas apresentações em março”, parabeniza o superintendente de Políticas Educacionais da Seduc, Ricardo Lisboa.

Sustentabilidade – Os três projetos das escolas estaduais que serão apresentados na Febrace se destacam pelo caráter sustentável e empreendedor: uma cola para placas de madeira e derivados a partir de material descartável (Izaura de Lisboa); Coresí, uma linha de cosméticos produzidos a partir do coco e seus resíduos (Théo Brandão) e Slimp, produtos de limpeza sustentáveis utilizado a folha e a fibra da bananeira (Arthur Ramos).

“O nosso projeto usou o coco como matéria prima para produção de shampoo, sabonetes e cremes hidratantes. O objetivo maior foi envolver os alunos na pesquisa com foco na economia criativa e empreendedorismo”, recorda Galba Tereza Barbosa, articuladora de ensino da Escola Estadual Théo Brandão. “O reconhecimento do nosso projeto mostra que as pessoas não estão preocupadas apenas com a qualidade do produto, mas também do seu processo de produção”, complementam Júlia e Mateus Domingues, os irmãos gêmeos e estudantes que desenvolveram o trabalho sob a orientação da professora Tatiane Omena e co-orientação de Thalyta Rabêlo.

Maria Izabel da Silva, estudante da Escola Estadual Arthur Ramos, também ressalta a preocupação com cada item de produção dos produtos de limpeza Slimp. “O tempo todo pensamos na economia e no meio ambiente. São produtos como sabão em barra, sabão em pó, detergente, água sanitária e amaciante feitos a partir de ingredientes como sabonete, água, vinagre de álcool, extrato da folha de bananeira e corante opcional. Buscamos o menor uso possível de componentes químicos, o que se repetiu também na confecção das embalagens, onde utilizamos folhas de caderno usadas, folhas e fibras de bananeiras estéreis, cascas”, fala a garota.

Superação – As professoras Nadja Alves e Tatiane Omena são veteranas da Febrace e falam que ter os projetos selecionados para a feira é fruto de um trabalho de dedicação e superação de professores, escolas e estudantes.

“Desenvolver esses trabalhos em meio à pandemia foi um desafio, mas com a contribuição de alunos, professores e escola, conseguimos vencer esses obstáculos. Os nossos estudantes deram um show de determinação e estão super preparados e empolgados em representar o nosso estado. Será a primeira vez que ambas as unidades participam da Febrace”, conta Tatiane, orientadora dos projetos da Théo Brandão e Arthur Ramos.

Em sua 11ª Febrace, Nadja já foi premiada em duas edições do evento, com as escolas Izaura Antônia de Lisboa e Nossa Senhora da Conceição. “A cada edição, sinto a mesma emoção da primeira vez em que fomos selecionados. É muito bom participar de um evento deste porte, pois novos horizontes se abrem para nossos alunos: eles têm contato com a iniciação científica, aprendem a redigir artigos e vislumbram o que é uma universidade”, pontua Nadja.

Reconhecimento – Samuel Tavares é aluno de Nadja e está em sua segunda Febrace. Ano passado, ele participou desta e de outras feiras em formatos virtuais e disse que a experiência foi transformadora. “Em março do ano passado, não pudemos viajar para São Paulo porque a pandemia estava no começo e o evento teve que se adaptar a um formato online. No começo, foi difícil trabalhar nessa nova realidade, mas, no final deu tudo certo e participamos de muitas feiras, fizemos muitos contatos, aprendemos muito. E tudo isso sem sair de casa. Foi incrível, um leque de oportunidades se abriu para nós. Para se ter ideia, tivemos avaliadores da Holanda conhecendo nosso projeto”, relata, empolgado, Samuel.

Em sua primeira Febrace, os irmãos Júlia e Mateus também não escondem a euforia de ter seu trabalho como finalista da feira. “Para nós, é uma realização pessoal e acadêmica. O reconhecimento pela Febrace não reflete apenas a qualidade da nossa pesquisa, mas também o potencial de cada aluno do país, não importando sua origem ou classe social. Somos muito gratos às professoras, à escola e a esse projeto tão lindo que desenvolvemos juntos”, dizem emocionados.

Para Maria Izabel, a conquista tem um sabor ainda mais especial. Moradora da zona rural do Pilar, ela superou os obstáculos de locomoção e o distanciamento imposto pela pandemia para desenvolver o projeto. “Moro em uma fazenda e, uma vez por semana, eu me deslocava até a Chã do Pilar para encontrar as meninas e realizarmos as pesquisas e testes. Tudo isso fazendo distanciamento social, chamadas de vídeo e usando máscara e álcool gel. Estar na Febrace é, para nós é gratificante, porque somos de uma cidade pequena e é muito bom poder representá-la, assim como nosso estado”, declara a jovem.