setembro 28, 2021
Política

Ex-secretário de comunicação de Bolsonaro mente na CPI

A reunião da CPI da Pandemia de hoje foi marcada por graves mentiras e contradições no depoimento do ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten. Houve também ameaças e tentativas de intimidação contra o relator da comissão, o senador Renan Calheiros, que busca o esclarecimento das ações do governo federal no enfrentamento da pandemia.

A carta da Pfizer, apresentando ao governo Bolsonaro uma oferta de vacinas, foi considerada o principal ponto do depoimento de Wajngarten. Durante o depoimento, o ex-secretário disse que quando soube que a Pfizer enviaria uma carta ao governo brasileiro, levou o assunto ao presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, a atitude “proativa” foi republicana e para ajudar.

Wajngarten confirmou que a Pfizer encaminhou em setembro a carta sobre a oferta, mas segundo ele, eram “500 mil vacinas”, e não 70 milhões de doses. Ele disse que além de Jair Bolsonaro, receberam a correspondência o vice-presidente, Hamilton Mourão, os ministros Paulo Guedes (Economia), Eduardo Pazuello (Saúde), Walter Braga Netto (Casa Civil) e o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster.

A carta foi encaminhada no dia 12 de setembro, oferecendo imunizantes e ficou dois meses sem resposta do Governo Federal. Quando o ex-secretário soube da falta de resposta, colocou o presidente Jair Bolsonaro em contato com representantes da farmacêutica.

Wajngarten também confirmou que o Ministério da Saúde não respondeu à carta “até 9 de novembro”, mas negou ter participado de negociações.

Negociações da vacina

O relator da CPI, senador Renan Calheiros, questionou ao ex-secretário quais foram os escritórios que atuaram nas negociações com a Pfizer no Brasil e como se deu a atuação dele. Fábio disse que apenas desconhecia os escritórios que atuaram nas negociações, mas explicou como entrou no caso da Pfizer.

“Ao tomar conhecimento, no dia 12 de setembro, que havia enviado uma carta aos seis destinatários, um dono de um veículo de comunicação comentou haver uma correspondência sem resposta: ‘Fábio, tem uma carta, e ninguém respondeu. A carta chegou ao Amin, ou a carta se perdeu’. Eu, imediatamente, liguei… Mandei um e-mail e telefonei para o headquarter, para a sede da Pfizer em Nova York, e não consegui contato. E, 15 minutos ou meia hora depois, devolveram o e-mail para mim e pediram o telefone. Eu passei o meu telefone e o CEO da Pfizer no Brasil, Carlos Murilo, me telefonou. Assim, origina-se a minha entrada no caso da Pfizer”, relatou Wajngarten.

Ministério Paralelo

Renan quis saber sobre possível aconselhamento paralelo da Presidência da República e afirmou que o ex-secretário incrimina o presidente Bolsonaro, porque iniciou uma negociação, em nome do Ministério da Saúde, como Secretário de Comunicação.

“É o seguinte, esse depoimento tem se encaminhado para um terreno muito ruim, muito ruim! Aqui, estiveram dois ex-ministros que confirmaram a existência de uma consultoria paralela. Feita a pergunta ao depoente, ele disse desconhecer a existência, mas é o contrário: Vossa Senhoria é a prova da existência dessa consultoria. Vossa Senhoria é a primeira pessoa que incrimina o presidente da República, porque iniciou uma negociação, em nome do Ministério da Saúde, como Secretário de Comunicação e se dizendo em nome do Presidente; é a prova da existência disso”, declarou Renan.

Mais uma mentira

O senador Renan Calheiros, relator da CPI, ainda questionou o depoente sobre a campanha “O Brasil não pode parar”. O teor da campanha foi alvo da CPI por representar um endosso do governo federal à pressão contra o isolamento social, medida sanitária para impedir a disseminação da covid-19. Wajngarten disse que o governo não chegou a veicular as peças de propaganda. No entanto, mostrou postagens nas redes sociais do Planalto e da própria Secom com a marca “O Brasil não pode parar”.

“Vossa Senhoria, com todo o respeito, mente, porque está aqui a postagem oficial. Este é o primeiro caso de alguém que vem à CPI e, em desprestígio da verdade e do Congresso, mente”, afirmou Renan. 

“Mais uma vez, mente. Mentiu diante dos áudios agora publicados, mentiu por ter mudado a versão com relação à entrevista que deu e continua mentindo, continua a mentir”, completou o relator.