setembro 28, 2021
Política

“Militares não aceitam ser massa de manobra”, diz Renan sobre nova crise de Bolsonaro

Edivaldo Júnior

A avaliação é de quem conhece, como poucos, os bastidores do poder em Brasília. Os militares, na avaliação do senador Renan Calheiros (MDB-AL), líder da maioria do Senado “não aceitaram ser massa de manobra” de Jair Bolsonaro.

O presidente mantém a fábrica de crises a pleno vapor. Para contornar um problema, prefere criar outro maior.

As reações as ameaças golpistas de Bolsonaro partem de todos os lados. Não há clima, nem apoio para golpe em Brasília, nem no Brasil. Nem mesmo dentro dos quartéis.

Em entrevista à CNN, nessa terça-feira,30, Renan Calheiros avaliou a saída do Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva e a demissão dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica.

“Gostaria de ressaltar o papel altivo de respeito à constituição e à democracia do ex-ministro da defesa e dos comandantes militares, que provavelmente não aceitaram ser massa de manobra, nem permitir a expropriação das forças armadas por quem quer que seja”, afirmou.

Para Renan afirma, o presidente Bolsonaro deu mais uma demonstração diária de sua rotina uma ameaça de golpe, retrocesso e fechamentos dos poderes.

“Ele (Bolsonaro) tinha contabilizado vários problemas com o Congresso. Quer dizer, mais esse agora com os militares, essa tentativa de expropriação das forças armadas é uma coisa absolutamente nova. E no momento desse de dificuldade, de crise, para que essa outra crise né?”, questionou.

O senador reproduziu trechos da entrevista à CNN no Twitter. Ele também falou sobre o Orçamento e criticou a aprovação de R$ 35 bilhões para emendas parlamentares: “O Brasil não tem dinheiro pra saúde, vacina, pra nada. O Congresso separar R$ 35 bilhões para emendas parlamentares, emenda de relator, isso é um escárnio. Nós não podemos de forma nenhuma concordar com isso porque dessa forma nós não vamos absolutamente a lugar nenhum”, explica Calheiros.

Renan Calheiros sugeriu destinar o valor para aumentar o auxílio emergencial: “O Congresso não tem baixado a cabeça diante dos arreganhos autoritários. Ele precisa também demonstrar responsabilidade fiscal e quem sabe aproveitar esses 35 bilhões de emendas de relatório parlamentar para aumentar o valor do auxílio emergencial para 600 reais como pagamos no ano que passou”, disse.