setembro 20, 2021
COVID-19

“Mutação manauara pode infectar quem já tem anticorpos para o novo coronavírus”, alerta especialista

Ascom Ufal
Fernando Maia, infectologista

Cada Minuto

Há menos de 24 horas as regiões Agreste e Sertão retrocederam à Fase Vermelha e o rtsou do estado à Fase Laranja do Distanciamento Social Controlado. Essas medidas acontecem após o estado apresentar aumento nos casos de Covid-19. Em pronunciamento, o governador Renan Filho não descartou a possibilidade de serem implantadas regras mais restritivas, caso os números não diminuam. Especialistas temem o colapso da rede de saúde.

O professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e integrante do Observatório Alagoano de Políticas Públicas para Enfrentamento da Covid-19 (OAPPEC) Gabriel Bádue comentou que diferente do cenário observado na primeira onda, em que os picos de ocupação dos leitos de UTI se alternaram nas diversas regiões brasileiras, agora isso está ocorrendo simultaneamente, o que dificulta estratégias de remoção de pacientes, bem como aumentará a demanda por suprimentos e profissionais de saúde, por exemplo.

Quanto ao crescimento de casos registrados nos Boletins Epidemiológicos divulgados diariamente pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), o professor disse que o crescimento se dá pelo aumento da transmissão. É difícil apontar uma única causa para explicar esse fenômeno, mas entre as hipóteses, há pelo menos duas possibilidades plausíveis para explicar o aumento da transmissão após um período de aparente controle, entre agosto e outubro passados. A primeira está ligada a uma sucessão de eventos como eleição, festas de fim de ano, Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e Carnaval, onde foram registradas aglomerações que podem ter potencializado a transmissão.

“Outra possibilidade está relacionada à mutação manauara do novo coronavírus, P.1, que, segundo estimativas, é entre 1,4 e 2,2 vezes mais transmissível que as linhagens que a precederam, além de poder infectar mesmo quem já tem anticorpos para o novo coronavírus”, alertou o professor.

Variantes

Pesquisadores do Observatório Covid-19 da Fiocruz identificaram a dispersão geográfica no território de ‘variantes de preocupação’, assim como sua alta prevalência nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil.

De acordo com esse comunicado, em Alagoas, essas variantes foram responsáveis por 42,6% dos casos de Covid-19 investigados pela instituição. Até o momento, a Sesau confirmou dois pacientes que foram confirmados com a nova variante.

Cuidados

Além da vacinação, que na realidade brasileira atual, é uma estratégia de médio à longo prazo, as medidas para evitar o contágio e, consequentemente, o colapso da rede de saúde são não-farmacológicas, divididas entre medidas de mitigação e supressão. Entre as do primeiro grupo estão o uso da máscara, higienização das mãos e distanciamento social. Não sendo suficientes, as medidas do segundo grupo deverão ser adotadas, englobando restrição de circulação de pessoas e atividades não-essenciais, ponderou Bádue.

Considerando seus impactos, a adoção dessas medidas deve ser feita a partir de critérios epidemiológicos e capacidade de atendimento de cada localidade, os quais deverão ser reavaliados periodicamente por meio de indicadores como incidência de casos, óbitos, testagem e ocupação hospitalar.

Pacientes mais jovens

Algumas pesquisas apontam que no Brasil o número de internações de pacientes com idade avançada recuou e as pessoas com idade média de 50 anos já são maioria em diversos hospitais.

Conforme o médico infectologista Fernando Maia, houve essa mudança no perfil dos infectados “pois os jovens se expõem mais, e essas novas variantes infectam mais pessoas jovens, além também dos idosos”.

O infectologista reforça que as festas de final de ano e carnaval certamente contribuíram para o aumento no número de casos. “Foi um período de muitas aglomerações, aliado à falta de adesão às medidas de controle”.

Restrições e lockdown

O médico recomenda que, além da máscara, as pessoas devem manter o hábito de lavar as mãos, só sair quando for estritamente necessário e evitar aglomerações.

Quanto às novas medidas de distanciamento, Fernando Maia diz que a restrição de circulação das pessoas em determinados horários e a proibição de eventos são necessários frente ao aumento do número de casos, podendo chegar até ao fechamento total, que é o lockdown.

Quanto à variante P1, o infectologista alertou que já está se espalhando em todo o país e poderá ser predominante em breve, se as medidas de contenção não surtirem efeito, até que se consiga vacinar toda a população.