junho 16, 2021
Política

Pazuello omitiu e distorceu fatos

Leopoldo Silva/Agência Senado

A CPI da Pandemia ouviu hoje (19) o depoimento do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde. Falando na condição de testemunha, ele foi questionado sobre sua conduta nos dez meses em que esteve à frente da pasta durante a pandemia.

O relator da Comissão Renan Calheiros (MDB-AL), postou, em suas redes sociais, um resumo com trechos do depoimento de hoje e o considerou contraditório e mentiroso.

“Foi um depoimento cheio de contradições e mentiras. O trabalho da CPI segue em busca da verdade sobre a situação da Covid no país”, disse Renan nas redes.

Nos trechos postados, Renan questiona Pazuello quando e por meio de quem o Presidente da República foi informado das propostas da farmacêutica Pfizer, que segundo o depoimento gerente-geral da companhia farmacêutica na América Latina, Carlos Murillo, levou dois meses para serem respondidas pelo governo.

“Foi informado por mim em todo o processo, que começou lá em julho, até abril, quando nós contratamos; até março, quando nós contratamos a Pfizer. Pessoalmente por mim, durante todo o processo, essa é a resposta”, disse o general.

Mentiras aos senadores
Em outro momento, Renan questionou Pazuello sobre a informação falsa que passou aos senadores, dizendo que a oferta de vacinas da Pfizer foi de apenas 6 milhões de doses.

“Nós temos que lembrar que um depoimento a viva voz, sem documentos, às vezes, fica descontextualizado. Seis milhões são o final do primeiro semestre. Dois milhões e meio são os números de 500, 500, 500 e 1 milhão. Então, você tem 8,5 milhões no primeiro semestre; 6 milhões são os últimos três meses. Então, às vezes, na hora de se posicionar lá atrás, fica atravessada a resposta, mas o que interessa…”, tentou justificar.

“Então houve equívoco, né? Houve equívoco na citação ao Senado? ”, perguntou o relator.
“Pode ter havido ou pode estar descontextualizado”, respondeu Pazuello.

O ex-ministro respondeu a todas as perguntas dos senadores apesar de ter em mãos um habeas corpus que o permitia ficar em silêncio. Pazuello teve um mal-estar no intervalo da sessão da CPI da Pandemia e o restante da oitiva foi adiado para amanhã, quinta-feira (20), às 9h.