maio 13, 2021
Meio Ambiente

Peixes aparecem mortos após derramamento de melaço no Rio Jequiá, em Alagoas

Ainda não há confirmação de que mortandade tenha sido causada pelo rompimento do tanque. Prefeitura de Jequiá da Praia orienta população a não consumir os peixes.

Reprodução


Por G1 AL

Milhares de peixes apareceram mortos no Rio Jequiá, nesta terça-feira (24), no trecho entre as cidades de Campo Alegre e Jequiá da Praia. Eles foram encontrados boiando ou presos à vegetação que fica às margens do rio. Moradores e pescadores conseguiram encher embarcações inteiras com os peixes encontrados no local.

A mortandade foi registrada após o derramamento de aproximadamente 15 mil litros de melaço de um tanque da Usina Porto Rico, localizada em Campo Alegre, no interior de Alagoas, que se rompeu na madrugada de segunda (23). Ainda não há confirmação de que isso tenha causado a morte dos peixes.

O coordenador jurídico da Usina Porto Rico, Átila Machado, informou ao G1 que a suspeita é de que o desgaste natural do tanque tenha provocado o rompimento e disse que a empresa está tomando medidas para minimizar os danos ao meio ambiente

Amostras da água foram recolhidas e estão sendo analisadas no Laboratório da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). O resultado deve sair na quinta-feira (26).

Equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) estão percorrendo a região e fazendo o levantamento dos impactos ambientais no local.

“Desde ontem vem sendo feito esse trabalho de levantamento para ter uma noção exata do tamanho do dano causado. O Ibama e o ICMBio fizeram análise de água e até o momento, o estrago é grande”, relatou o Cabo Franklin, do Batalhão de Polícia Ambiental.

Peixes não podem ser consumidos
A Secretaria de Meio Ambiente de Jequiá da Praia recebeu relatos de que moradores estariam recolhendo os peixes mortos. Até que se tenha o resultado das análises, a orientação é para que as pessoas não tenham contato com eles.

“A gente está fazendo esse acompanhamento porque tivemos alguns relatos que alguns moradores estavam coletando esse material, esses peixes que apareceram mortos para consumo e comercialização. A gente queria fazer o apelo de que não fizessem isso até que nós tenhamos os resultados e que isso possa ser feito de uma maneira segura”, informou a secretária do município, Luana Gonzales.

A prefeitura também está fazendo o levantamento para saber quais são as consequências para a economia da cidade.

“São em torno de duas mil famílias que são cadastradas na reserva extrativista e elas sobrevivem direta ou indiretamente da pesca. Então, com certeza se tiver impactos maiores, as famílias vão ser afetadas de algum maneira. É por isso que estamos aguardando as análises que estão sendo feitas para que se comprove e se avaliem os impactos e em caso de comprovação, quais são eles para a gente discutir quais serão as medidas adotadas”, concluiu Luana.