maio 14, 2021
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Queda no distanciamento provoca surgimento de novas variantes

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Maceió, 21 de dezembro de 2020 Movimento no centro do comércio de Maceió. Alagoas - Brasil. Foto:@Ailton Cruz

Agência Alagoas

A queda no distanciamento social passou a ser relacionada, por pesquisadores do mundo inteiro, com o surgimento de mutações do vírus Sars-CoV-2, o novo coronavírus, como a detectada em Manaus (AM) no final do ano passado. Com a propagação por todo o país da variante batizada de P.1, a responsabilidade da população no enfrentamento à Covid-19 se tornou ainda mais decisiva – inclusive daqueles já vacinados.

Em Alagoas, os dois primeiros casos de contágio pela P.1 foram divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) no último dia 18 de fevereiro. Com carga viral dez vezes maior, a mutação apresenta taxa de transmissão entre 1,4 e 2,2 à original, e índice de reinfecção aferido entre 25% e 61% dos casos. Com o relaxamento no distanciamento social o cenário se torna ainda mais propício e convidativo para a disseminação do vírus, que ganha força para se espalhar mais rapidamente.

Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em oito estados da federação, divulgado no último dia 5, constatou que a P.1 foi identificada em 42,6% das amostras de Alagoas analisadas pela entidade. Para o cientista Felipe Naveca, especialista em virologia e biologia molecular da Fiocruz Amazônia, a relação é clara: quanto menos cuidado com o distanciamento social maiores as chances de proliferação de variantes que complicam o quadro da pandemia.

Em entrevista ao Portal da Fiocruz, publicada na última segunda-feira (8), o especialista da instituição destacou o caso de outra linhagem, a inglesa, largamente disseminada durante as férias de verão no Hemisfério Norte. “Foi o que aconteceu na Inglaterra quando houve uma queda no distanciamento”, alertou. “Quanto mais casos você tem, mais mutações, e maior a possibilidade de surgir uma variante do vírus”.

Mudanças de fase em Alagoas

A rápida e constante evolução nos indicadores em Alagoas, observada ao longo das últimas semanas, confirma a alteração expressiva num panorama que, até o final do ano, se apresentava estável e controlado. O Governo do Estado agiu ao primeiro sinal de variação no comportamento da pandemia. No intervalo de três dias, decretou duas mudanças de fase no Plano de Distanciamento Social Controlado.

Pelo menos até o próximo dia 16 de março, as cidades situadas no Agreste e no Sertão do estado ficam na Fase Vermelha, e Maceió e os demais municípios seguem na Fase Laranja.

Ao passo que segue a vacinar profissionais de saúde e a população acima de 78 anos com o máximo de celeridade – iniciando nos próximos dias a imunização de pessoas com 75, 76 e 77 anos -,o Governo de Alagoas também investe na ampliação de leitos exclusivos para tratamento de pacientes com Covid-19. Somente nos últimos 15 dias, foram 178 novas vagas abertas. Até a noite dessa terça-feira (9), a taxa de ocupação dos 310 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) estava em 82%.

Contudo, como preconizam médicos, especialistas e autoridades, o controle da pandemia só será possível com a contribuição de toda a população. Enquanto a vacinação não chega para todos, o combate ao novo coronavírus e suas variantes só surtirá efeito com respeito ao distanciamento social, uso de máscaras ao sair de casa, higienização periódica das mãos com água e sabão ou álcool 70% e o cumprimento dos protocolos sanitários estabelecidos por decreto governamental.