setembro 28, 2021
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Queiroga cria ‘neonegacionismo’, diz Renan

Edilson Rodrigues/Agência Senado

A CPI da Pandemia voltou a interrogar, nesta terça-feira (08), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Para o relator da comissão, Renan Calheiros, a sessão inaugurou uma nova etapa do negacionismo: o neonegacionismo.

Renan começou o interrogatório lembrando que o presidente da República, Jair Boplsonaro, produziu mais uma fake news, divulgando um falso relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), que supostamente apontaria um falso registro de metade dos mortos pela pandemia, em um total desrespeito às vítimas da doença e de suas famílias.

Na oitiva do ministro neonegacionista da Saúde, este prestou-ser ao papel de blindar Jair Bolsonaro. Queiroga afirmou ser a favor da Copa América, dizendo não haver riscos para a população porque jogadores e comissões técnicas dos países têm “seguros de saúde” e afirmando que não haverá público nos estádios. Na linha do neonegacionismo, neste caso, disse que “o risco é o mesmo com ou sem o jogo”, apesar de admitir ter dispensado a vacinação dos jogadores.

Com relação ao ministério paralelo da saúde, que chegou a pedir a suspensão de medidas de lockdown e toque de recolher, o ministro disse que não foi ouvido e que não competia a ele opinar. Admitiu respeitar o deputado federal Osmar Terra, um dos membros do gabinete paralelo, e disse que recebeu da médica Nise Yamaguchi um protocolo de uso de cloroquina – que ele admitiu não ter eficácia comprovada para a Covid. Ou seja, não conhece o gabinete das sombras, mas conhece os seus integrantes; admite a ineficácia da cloroquina, mas não a tirou das normas do Ministério da Saúde.

Sobre o veto à médica Luana Araújo, o ministro neonegacionista admitiu que todas as nomeações passam pela Casa Civil e Segov, e que “não houve óbice formal” da nomeação dela, mas disse que “desistiu” porque o nome dela não “suscitava o consenso” que ele teoricamente desejava. Mas disse que não tem nenhum infectologista no ministério, e também não soube dizer quantos ex-militares exercem funções sem especialidade.