setembro 28, 2021
Política

Renan, a nova cepa e as mentiras de Pazuello: “a negação do negacionismo”

Leopoldo Silva/Agência Senado

Edivaldo Júnior

O relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), reagiu com uma “descontraída” ironia às sucessivas “contradições e inverdades” do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello durante depoimento na comissão nesta quinta-feira (20).

O relator interrompeu o depoimento para sugerir que a CPI contratar uma agência de checagem para fazer “a varredura das inverdades” dos depoentes.

E explicou porque: “O depoente [ex-ministro Eduardo Pazuello] em 14 oportunidades mentiu flagrantemente. Ousou negar suas próprias declarações. Só se é uma nova cepa que estamos vendo aqui: a negação do negacionismo. Deve ser uma nova cepa”, ironizou.

Em tom mais sério, Renan acrescentou que “negar tudo aquilo que está posto, que a sociedade conhece e acompanha não dá. É tripudiar da investigação e da CPI, imaginar que palavras são jogadas ao vento. É preciso respeitar a Comissão Parlamentar de Inquérito”.

As inverdades ou mentiras parece ser uma estratégia comum a depoentes que tem (ainda) relação mais próxima com o Palácio do Planalto.

E não é a primeira a se adotada. Primeiro a tentativa foi de impedir a instalação da comissão, depois se tentou mudar o relator e na sequência a tentativa foi de “emparedar” Renan nas redes sociais e na própria CPI.

Esta semana, os governistas parecem apelar para uma estratégia de negar tudo na CPI, de tentar miniminizar a pandemia. Foi assim com Ernesto Araújo e com Pazuello. E deve continuar assim na próxima semana.

Negar o inegável pode até confundir uma pequena parcela da opinião pública, mas esta estratégia pode acabar com o pouco de credibilidade que ainda resta ao governo quando se trata de pandemia, na CPI e nas ruas.