setembro 28, 2021
Política

Renan aponta pelo menos 12 contradições em depoimento de Mayra Pinheiro

Leopoldo Silva/Agência Senado

Em depoimento à CPI da Pandemia nesta terça-feira (25), a secretária de Gestão do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, foi questionada sobre sua confiança na vacinação e sobre a crise de oxigênio nos hospitais de Manaus, em janeiro. O relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), fez um levantamento que aponta 12 contradições durante o depoimento, em temas como o uso da cloroquina e do aplicativo TrateCov.

Renan perguntou à secretária sobre a informação do problema do desabastecimento de oxigênio medicinal em Manaus pelo próprio Ministro da Saúde em 8 de janeiro. A médica afirmou que esteve em Manaus de 3 a 5 de janeiro e disse acreditar que o ex-ministro Eduardo Pazuello só soube da escassez no dia 8. À CPI, no entanto, o general havia informado que só teve conhecimento na noite do dia 10.

“Não, Senador, tem uma falha aí de informação. Eu estive em Manaus até o dia 5, eu voltei. O ministro teve conhecimento do desabastecimento de oxigênio em Manaus creio que no dia 8, e me perguntou: ‘Mayra, por que você não relatou nenhum problema de escassez de oxigênio?’. Porque não me foi informado, respondi. Eu confirmei a informação com o secretário estadual de Saúde, perguntando: “Secretário, por que, durante o período da minha prospecção, não me foi informado?”, respondeu Mayra.

Questionada por Renan sobre o aplicativo TrateCov, ela afirmou que os parâmetros da plataforma seguiam estudo internacional. E disse que a ferramenta poderia ter salvo muitas vidas, se não tivesse sido invadida por hacker. “O sistema é seguro e ele não conseguiu hackear. Hackear é quando você usa a senha de alguém, entra dentro de uma plataforma, de um sistema. E nós já tivemos sistemas do Governo que foram hackeados”, disse a médica.

Em outra resposta ao relator, a secretária disse que mantém a recomendação de cloroquina e hidroxicloroquina no chamado “tratamento precoce” contra a Covid-19. “E o Ministério da Saúde tem a Nota de Orientação nº 9, que depois foi transferida, transformada na Nota nº 17, onde orienta, segundo o parecer do Conselho Federal de Medicina, que os médicos, para o enfrentamento dessa doença grave, de desfecho incerto e letal, possam usar dos medicamentos off-label que estão disponíveis”, afirmou Mayra.

Pressionada pelo relator sobre a tese da imunidade de rebanho, Mayra Pinheiro defendeu que as crianças continuem indo à escola e criticou o lockdown nas cidades. Sobre vídeo apresentado pelo senador Renan Calheiros, Mayra afirmou também que nunca fez defesa da imunidade de rebanho, mas que se referiu ao menor risco de as crianças adquirirem a doença. “E, como pediatra, eu fiz vários estudos, ao lado de colegas que são cientistas e hoje nós temos a certeza de que as crianças têm 37,5 vezes menos chances de contrair a doença, e a possibilidade de transmissão a partir de uma criança também é baixa”, afirmou a médica.