setembro 28, 2021
Política

Renan destaca contradições do depoimento de Nise Yamaguchi

Leopoldo Silva/Agência Senado

No início da reunião da CPI da Pandemia nesta terça-feira (1º), senadores debateram a realização da Copa América no Brasil. Também discutiram a possibilidade de convocação do presidente da CBF, Rogério Caboclo, e do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para explicarem as condições de o Brasil receber o evento.

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que é lamentável a ideia de promover o evento no Brasil na iminência da chegada da terceira onda da Covid-19. O senador fez um apelo aos jogadores da seleção, ao técnico Tite e ao atacante Neymar para que se mobilizem contra a realização da Copa América no Brasil.

“Já que não dá para fazer apelo ao presidente da República, já que não podemos fazer o apelo ao ministro da Saúde, já que não podemos fazer o apelo à CBF, eu quero me dirigir à seleção, aos jogadores, ao seu treinador e ao Neymar: Neymar, não é esse o campeonato que precisamos agora disputar. Precisamos disputar o campeonato da vacinação”, disse Renan.

O relator acrescentou que o Brasil está nos últimos lugares no campeonato da vacinação, mas entre os primeiros no “campeonato da morte”; e pediu que Neymar marque “gols” em favor da vacina e “não aceite a Copa América no Brasil”.

Depoimento
O depoimento da médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi, defensora do “tratamento precoce” para Covid-19, durou mais de sete horas e foi marcado por interrupções e discussões entre os parlamentares.

Renan Calheiros manifestou-se em suas redes sociais e considerou que o depoimento da médica não foi verdadeiro e que “suas palavras feriram os fatos”.

“Tivemos a primeira acareação da CPI: Dra. Nise Yamaguchi com seus próprios vídeos. Ficou comprovado que a doutora presencial é uma e a dos vídeos a desmente categoricamente. Lamento dizer que ela não foi verdadeira. Por mais suave que tenha sido, suas palavras feriram os fatos”, afirmou o relator.

Nise Yamaguchi também foi muito questionada sobre a chamada imunidade de rebanho por meio da própria disseminação do vírus. Renan exibiu um vídeo do ano passado em que a médica falava do tema e quis saber se ela mantinha a defesa da tese. A imunologista disse que a imunidade é um fato, mas pode ocorrer de várias formas e não significa mandar as pessoas indiscriminadamente para as ruas a fim de se contaminarem.

Nise disse que teve poucos encontros com Bolsonaro e que nunca debateu imunidade de rebanho com ele. Afirmou, desconhecer ter havido um “gabinete paralelo” nos primeiros meses da pandemia, definindo-se como “colaboradora eventual”.

Ela falou que nunca esteve em agenda privada com o presidente da República, Jair Bolsonaro, e que tratou diretamente com o Conselho Federal de Medicina a indicação de remédios como cloroquina e ivermectina no tratamento da Covid-19.

Amanhã é a vez de ser ouvida a Dra. Luana Araújo, ex-secretária de enfrentamento à Covid do Ministério da Saúde. A CPI pretende ouvir Luana antes de uma nova oitiva com o ministro Queiroga, para conhecer a versão da infectologista sobre os motivos da mudança.

Com informações da Agência Senado