setembro 28, 2021
Política

“São inúteis todas as tentativas do governo federal de tentar me intimidar”, diz Renan

Antes do representante da farmacêutica Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo, depor como testemunha na reunião da CPI da Pandemia desta quinta-feira (13), o relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), fez um breve discurso dizendo ameaças e intimidações não irão atrapalhar as investigações da CPI.

Renan criticou o depoente de quarta-feira (12), o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten, dizendo que ele mentiu perante os senadores e cometeu crime de falso testemunho. O relator também criticou o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), com quem discutiu durante o depoimento de Wajngarten. Para Renan, o episódio constitui “um dos maiores desacatos a uma comissão parlamentar de inquérito da história do Congresso Nacional, em particular do Senado”.

“Eu tirei meu nome, coloquei este nome aqui para que não haja dúvidas sobre o motivo pelo qual nós estamos aqui investigando. Se houve homicídio, se houve genocídio, se não houve genocídio… Se houve, quem é o responsável ou quem são os responsáveis? Porque esta CPI não trata do senador Omar, do senador Renan, de nenhum de nós. Nós estamos aqui em respeito a essas vítimas, a essas vítimas. E a resposta que nós poderemos dar, da melhor forma, é com o aprofundamento dessa investigação. Eu quero dizer às famílias dessas vítimas, aos mais de 15 milhões de sequelados da covid no Brasil que, haja o que houver, intimidação todos os dias, não haverá problema”, destacou o relator.

Renan considerou ofensiva a postura de Flávio na reunião da quarta-feira, e o chamou de “pregador do ódio”.

“Quero dizer a todos os pregadores do ódio que, ao final da sessão, nós vimos que o filho do presidente da República, que sequer é membro desta CPI, veio aqui numa missão de fazer a única coisa possível: ofender e escrachar. Quero dizer a esses pregadores que minha resposta a todos esses ataques é esse número aqui, de 428.256 vítimas da pandemia”, disse Renan.

Renan também criticou a viagem do presidente da República, Jair Bolsonaro, a Alagoas, para inaugurar obras estaduais. Para o senador, a viagem é “uma evidente provocação” à CPI.

“São inúteis todas as tentativas do governo federal de tentar me intimidar. São infrutíferas as manobras para mandar o filho me ofender, como também a visita a Maceió para inaugurar obra já inaugurada. Minha resposta será trabalho e empenho na CPI para apurar eventuais responsáveis pelas mortes no Brasil. O país já sabe que Bolsonaro e bom senso não cabem na mesma frase”, disse o senador em suas redes sociais.