setembro 23, 2021
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Witzel alega ter sofrido perseguição política

Jefferson Rudy/Agência Senado

O depoimento do ex-governador Wilson Witzel, do Rio de Janeiro, foi marcado por confusões provocadas pelo senador Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República, e por sérias acusações feitas pela testemunha. Witzel admitiu ter tido dificuldades para marcar simples reuniões com Jair Bolsonaro e que não houve apoio aos estados.

“Desde o início da pandemia, os governadores clamaram pela aprovação do auxílio emergencial. Sabíamos que haveria redução de arrecadação de ICMS e ISS e somente o governo federal poderia lançar mão e fazer o envio de recursos aos estados”, esclareceu.

Para Witzel, ele começou a ser perseguido depois de adotar uma linha de oposição a Bolsonaro e de dar ordem para uma investigação independente do caso Marielle – vereadora assassinada por milicianos no Rio de Janeiro. “O governo federal e o próprio presidente começou a me retaliar. O então ministro (da Justiça) Sergio Moro me disse que se eu não parasse de dizer que queria ser presidente, não seria atendido em nada”, revelou, acrescentando que Moro avisou que iria pedir a devolução de delegados federais.

“Tudo isso começou com a investigação do caso Marielle. Quando os executores foram presos, começou meu calvário”, disse Witzel, que acusou Jair Bolsonaro de cometer vários crimes de responsabilidade. “Quantos serão precisos para deter este homem?”, questionou, chamando a situação política atual de “chavismo ao contrário”, em referência a Hugo Chavez, ex-ditador venezuelano.